Diário de Au Pair: morando com os chefes

É engraçado parar pra pensar nas preocupações que eu tinha sobre o programa antes de vir, comparado com o que realmente me incomoda hoje em dia.

Admito que eu deixei de imaginar grande parte das coisas que ocorreram. Antes de entrar naquele avião minhas preocupações eram com a comida ( que eu já conhecia e já não gostava), com as amizades que eu viria a ter ou não, com todos os lugares que eu ia conhecer e com as coisas que eu iria comprar, se o dinheiro ia dar pra tudo, se as crianças iriam gostar de mim.

Eu nunca parei pra pensar se eu gostaria das crianças, ou como eu ia lidar com os problemas de banco, ou como seria morar com na casa dos chefes por mais de um ano.

Confesso que é uma das coisas que eu mais detesto nesse programa, apesar de amar a minha host family e realmente me sentir em casa aqui. Mas antes de vir pra cá eu morava só com mais uma menina, isso significa que eu podia sair do banho de toalha, que eu podia cozinhar tarde da noite, que eu poderia atacar a geladeira de madrugada, que se eu dormisse fora não era da conta de ninguém e que se eu me sentisse indisposta ou doente eu poderia simplesmente faltar a faculdade ou qualquer compromisso que tivesse.

Aqui não é assim, ontem e hoje aconteceram duas coisas que talvez explique melhor o que eu quero dizer.

Ontem era segunda e também o primeiro dia da semana, e eu precisei religar meu despertador pra acordar pelo menos até às seis e meia para começar a trabalhar as sete. Não sei se abaixei demais o som o do meu celular ou se estava cansada demais, só sei que acordei com meu fofo me ligando as sete e meia da manhã.

Quando subi ele não estava bravo, mas estava meio frio e ficou repetindo o ocorrido até à noite. Meu fofo é brincalhão então é difícil se ofender com essas coisas, mas anyway.

No fim do dia perguntei se eu ia mesmo começar as dez na manhã seguinte ou se ele precisava de mim antes disso. Ele me disse que ficava a meu critério se eu quisesse começar antes. E bom, já que estava nas minhas mãos obviamente eu não ia acordar antes das dez pras dez certo? Errado! Eu acordei com ele me ligando antes das nove perguntando se eu não queria começar mais cedo, em quinze minutos eu estava na cozinha, uma hora antes do meu expediente.

São dias como esse, ou como os dias de nevasca, que tudo que eu queria era morar bem longe do meu trabalho. Mas acredito que toda experiência é um crescimento, algum dia isso será muito válido no meu futuro. Como? Eu não sou capaz de responder, não agora.

Mas esse é um post pra todos os que estão vídeos, para que venham preparados e que saibam lidar com as circunstâncias sem ir a loucura, porque tudo isso aqui é temporário. E eu sei que um dia eu vou sentir falta de acordar e ouvir o ‘good morning darling’ da minha  fofa, ou de ver o sorriso das minhas kids logo pela manhã.

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