Diário de Au Pair: O fim!

Eu estou aqui sentada na frente do computador há uma meia hora pensando no que escrever, não porque eu não tenho nenhuma ideia pra dividir com vocês, mas sim, porque toda ideia que eu tenho acaba sendo automaticamente discartada pela vontade de dividir com vocês todos os meus sentimentos de agora.

Faz tempo que eu não faço isso, só sentar na frente do pc e deixar marcado em letras tudo o que o aperta o meu coração. O último mês tem sido um pouco complicado para a minha alma, o programa de au pair chegou ao fim, e junto com ele veio um turbilhão de emocoes que, honestamente, eu não estava preparada para.

Um mês antes do embarque

O primeiro sentimento foi definitvamente de ansiedade, felicidade, eu sonhava todos os dias e noites em correr pro abraço da minha mãe no aeroporto, comer o máximo de picolés que eu pudesse, andar de short e sentir o calor do Brasil, porque pra quem não sabe, o inverno e a neve nos Estados Unidos duraram de novembro até o fim de maio, (sério, duas semanas depois da primavera comecar ainda estava nevando). Naquele momento tudo que eu queria era voltar.

Três semana antes do embarque

Estava tudo bem, até que uma ligacao de telefone com meus pais transformou a vontade imensa de voltar pra casa em um sentimento confuso de não querer ir embora de Nova Iorque, naquele ponto eu comecei a rever todas as minhas opçoes de ficar, que eram muitas, mas ao mesmo tempo eu precisava voltar pra casa, meu corpo precisava descançar, presiva do calor, precisava passar em todos os meus médicos. Mas a única coisa que eu ansiava por meses foi arrancada de mim em alguns minutos e tudo que sobrou foi um vazio enorme, eu chorei por duas semanas seguidas…

Duas semanas antes de embarcar

Nessa semana a Au pair nova já estava em casa comigo, e ela foi uma otima distração pra bagunça dos sentimentos, mas ao mesmo tempo, tudo na casa ficou bem esquisito, o que é normal pois uma pessoa nova muda todo um ambiente. Minhas crianças muito confusas estavam se coportando de um jeito muito esquisito, eu tinha todas as tarefas divididas com alguem então o stress foi um pouco menor, mas  querendo ou não eu tinha alguem comigo o tempo todo, não tinha um minuto pra ficar sozinha e ajeitar meus pensamentos, foi uma semana corrida, ao mesmo passo que passava tao devagar. Eu estava triste por ter que dar tchau, por precisar trocar de casa, mas tudo que eu pensava é que na proxima semana eu estaria de férias…

Uma semana antes de embarcar

Domingo dia 29 de abril foi o dia mais cheio de sentimentos da minha vida, eu peguei o carro e dirigi até o sul de New Jersey para visitar minha primeira host family, como eu sai da casa deles de rematch nao tinha ideia de como ia ser, porque depois do ocorrido eu continuei a trocar mensagens com a minha host mom mas nunca fui capaz de visita-los por não conseguir entrar na casa em que eu morei, aquilo de algum jeito me traumatizou, e por mais que eu quisesse ver minhas primeiras host kids eu não conseguia nem olhar para aquela casa. Mas como recentemente eles tinham se mudado pra uma outra casa em uma outra cidade, bem longe de tudo, eu tomei coragem e fui vista-los, e, foi ótimo.

Eu fui recebida com tanto amor quanto da primeira vez que entrei na casa deles, ver minhas crinças num ambiente mais feliz foi uma sensação maravilhosa e dizer tchau pra eles doeu mais do que da primeira vez.

Depois disso dirigi mais duas horas de volta pra casa da minha atual host family, e cheguei la pra ser recebida com as minhas kids sorrindo e gritando por mim, e ouvi dos meus ffos que minha menina tinha chorado tanto achando que eu tinha ido embora que até pediu para que eles ligassem para o papai Noel para dizer pra eles que ela seria boazinha mas pra por favor me trazer de volta. Me despedir dela logo depois disso doeu demais, doeu como nada nunca antes fez, uma menininha de cinco anos que só me conhecia há um ano e que estava tendo seu coração partido ao meio por que eu estava indo embora.

Eu não me aguentei, chorei demais ao me despedir de todo mundo, mas era uma situaçao em que todos precisavam passar, mas eu nunca vou me esquecer do quanto aquela familia é importante pra mim, eles se tornaram minha familia de verdade, eu me sentia mais confortavel na casa deles do que na casa dos meus pais, e doia em mim saber que eu não estaria mais lá.

Naquele mesmo dia meu chefe me levou pra casa da Giovanna, na mesma cidade onde eu morei da primeira vez, onde todo o meu intercâmbio se iniciou, parte de mim pertence aquele lugar. Se vocês me perguntarem eu sempre vou dizer que Long Island é mais especial que NYC, e terminar meu ano lá foi a melhor decisao que eu tomei, por aquela semana eu fiquei na praia, numa cazinha linda, tendo a visita dos meus amigos todos os dias, tendo um clima extremamente agradavel que começou exatamente naquela semana e me permitiu ir para a praia todas as manhãs e fim de tarde.

Dia do embarque

Eu chorei, eu chorei demais, de me despedir daquele lugar e de me despedir de todas aquelas amizades que durante os ultimos anos se transformaram na minha familia, nas pessoas mais especiais, do meu seguro toda vez que eu estava prestes a desistir, porque parte de mim sabe que aquelas pessoas ficaram , mesmo que em memorias, no meu coração pro resto da vida, mas a outra parte sabe que eventualmente elas vao embora para os seus respectivos países a milhares de qilometros de distância.

Nos corredores do aeroporto, tudo parecia como mais uma viagem de férias, eu não tinha o sentimento de que estava indo embora pra sempre, mas sim o sentimento de que já já eu voltaria….

 

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